segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Quando os amores se vão

Quando os amores se vão,
anda meu projeto pessoal.
Se os amores me deixarem,
vou virar uma pessoa bem sabida.

sábado, 23 de junho de 2012

A minha poesia é assim


Blá, blablá, blablá
Patati, patati, patatá
Nhenhenhenhenhen
Larilari
Ulalá!
Hã?
Hein?
Pof
Pow
Pum

Poema da Rapunzel


Sou uma Rapunzel
Sozinha
Que vive
No alto de uma torre
Construída
Com meus pensamentos
Sentimentos
E toda sorte de dor
Mas se você chegar
E quiser me salvar
Me afagar e mimar
Não adianta gritar
“Jogue as tranças!”
Cortei os cabelos
Na última crise
De rebeldia

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Poema do meditador


E de repente
- pausa -
A mente parou
Tudo congelou
Aqueles castelos
Sonhados
Se desintegraram
As ideias
Desconcatenaram
Não mais havia
Ontem ou amanhã
O som cessou
O vazio se instalou
Por uma fração de segundo

Mas foi só prestar atenção
Na ausência
Para começar a ouvir
O pingo,
O jato, a cachoeira
De pensamento caindo aos borbotões, inundando o chão, saindo pelo ladrão, enchendo tudo, afogando tudo, engolindo tudo, levando embora na correnteza a esperança de estar em paz.

Poema do egocêntrico


Eu escrevo sobre mim
Sim, é fato
Um assunto
Que não interessa
A mais ninguém
Ou a quase ninguém
Mas afinal
Se alguém ainda não percebeu
Preste atenção
Vou contar:
Todo mundo só enxerga o próprio umbigo
Você acha que vê o outro
Mas está vendo é a si
Comparando tudo consigo
Tomando-se como medida
Como se você fosse
Unanimidade
Unidade internacional
Então cale-se
Antes de abrir a boca
Para falar de mim
E conforme-se
Com a miséria
Da raça humana

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Curiosidade sobre a música


Minha relação com a música é muito interessante. Funciona como uma via de comunicação do coração. Sabe quando você quer entender o que está sentindo e recorre a sonhos, ou a cartas do tarô? Para mim, a música funciona melhor. E não passa pela razão. Ou seja, não é que eu fique prestando atenção nas letras para ver se elas se encaixam nos meus sentimentos. As canções vêm automaticamente até mim, caem no meu quintal. Às vezes só me dou conta do que elas me dizem depois que já as ouvi milhões de vezes e que já sei cantar e tocar de cor.
Por exemplo, vejam só: recentemente fiz uma viagem a Londres, sozinha. Não era para ser assim, a viagem tinha sido programada para dois. Mas a relação não durou e resolvi embarcar para um tempo comigo mesma. Nessa época, descobri o novo disco da Norah Jones. Me agradou de cara, na primeira ouvida. Comprei no dia da viagem. Quando cheguei em Londres, estava viciada nele. Passei dias andando pela cidade com fones nos ouvidos, escutando a  trilha sonora eleita. A música combinava com o momento. Não pude deixar de reparar nos outdoors espalhados pela cidade propagandeando o álbum. Depois, quando decidi aprender a tocar a faixa que eu mais gostava, procurei a letra na internet. E ela dizia assim: “Now I’m feeling so left out, so I don’t care where I go, but I’m leaving... On my way to paradise, a little voice says: don’t think twice and don’t look back if you want things to change...”
Fiquei mais atenta e identifiquei outras situações semelhantes. A canção que mais me tocou ultimamente no novo trabalho da Marisa Monte foi “O que você quer saber de verdade...” . Insisto na explicação de que só presto atenção na letra bem depois da minha paixão pela música. Nessa, as palavras falam da busca da definição da sua questão mais importante, sugerindo para isso o caminho da liberdade. Prestar atenção nos seus sentimentos. Nada mais pertinente para mim, nesse momento. Não fui procurar essa música, nem tinha dado bola para esse CD. Ela chegou  na minha caixa de e-mail, enviada por um amigo. Veio até mim, simples assim!
E ainda nessa semana descobri uma musiquinha bem simplesinha que resolvi tocar para meu professor de guitarra. Ele gostou, não conhecia... E sabe o que dizia? Uma aprendiz de dança iniciante, insegura, e um professor, que percebeu sua dificuldade e maneirou na condução: “Só sei dançar com você, isso é o que o amor faz...”
Instintivamente, adoro música. Sempre adorei. Percebo claramente que minha vida tem trilha sonora. E agora, consciente do que ela faz por mim, peço licença e perdão pela falta de jeito: vou ali compor meu repertório.

Poema do mar revolto



Aqui dentro de mim
Sinto um mar revolto
Turbilhão
Que de tanto bater
Na minha casca dura
Provocou uma rachadura.
E através dela,
que surpresa, então:
Jorrou sangue!